terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Sobre Fruta e Legume


Um abacaxi na cabeça
Muitos pepinos para descascar.

Ora, que diabos! quero silêncio para respirar!
Respirar torto, mas com todo o fôlego
Mesmo que eu não o tenha
Como não o tenho tido.

Que barulho é esse que barulha
Mesmo onde e quando não devia
Que me invade, incomoda, me grita
Te chuto, barulho! Te calo!

Abacaxi não barulha
Mas viaja de avião
Viu, barulho, que você perde?

Barulho é amigo do pepino,
Já dizia o abacaxi.

Barulho, por que não és música?
Música é barulho bonito
Barulho pensado
Não barulho que perturba

Vou ligar o som bem alto
Sacodir o abacaxi
Esquecer de você, barulho
Pois, se não o silêncio,
Então a música te cala.

domingo, 13 de fevereiro de 2011

O que faz sentido a gente não pensa tanto: sente.

Hoje foi um dia atípico em que fiquei em casa o dia todo. Escrevi bastante, comi bobagens, ouvi as mesmas músicas que sempre escuto quando tenho esse tempo em casa. Pensei, pensei bastante. Qual o sentido real das coisas? Por que as coisas parecem tão valorosas, tão inlargáveis ao ponto de não nos permitir-mos viver da forma como gostamos de fato? Não faz sentido.
Hoje em dia as coisas estão de um jeito que, apesar de eu estar de férias, fico triste em pensar que amanhã é segunda-feira.
Gosto de ler, gosto de escrever, gosto de ouvir música, gosto de compor música... são as coisas que eu mais gosto, e são as coisas que eu menos faço. Na política a gente usa os termos estratégia e tática para definir, nessa ordem, o que queremos e que caminhos iremos percorrer até chegar no nosso objetivo. Muitas vezes as organizações políticas são acusadas de desvirtuadas justamente por se perderem nesses caminhos; se concentrar tanto no "como" e esquecer do "por que". É isso que a pessoa contemporânea faz sem perceber. Você trabalha para ter dinheiro para pagar seus consumos, ter uma casa confortável, dar uma boa vida a seus filhos. Sem que você perceba, você trabalha sem ter tempo de consumir, tem um sofá confortável onde você nunca senta, tem uma varanda linda na sua casa, mas não presta atenção nisso, tem crianças lindas com as quais você não tem tempo de brincar, porque tem que trabalhar. Mas... pra que mesmo que você está trabalhando?
Hoje o meu trabalho é uma coisa muito mais ampla do que minhas necessidades particulares. Me voluntario numa causa global, social, política e cultural. Gasto muito do meu tempo na militância; perco horas de sono, perco momentos lindamente bobos que costumava ter. Tudo fica com um ar tão mais sério, é como um mundo de gente grande.
Não tenho filhos para alimentar nem uma casa para sustentar. Mesmo assim trabalho. Inclusive, gasto dinheiro para trabalhar. No entanto, em uma reunião semana passada, quando me perguntaram se eu estava disponível na segunda-feira de manhã eu disse que não. Tinha um grande e importantíssimo compromisso naquela manhã de segunda-feira. Fazer nada.